30.12.09
O dia em que te esqueci
Uma crianзa num baloiзo vazio, uma rua abandonada. Podia dizer-te que sou o verгo, na verdade nгo sou mais que Abril. Quando os sonhos nos sorriem e atraiзoam, retirando a mгo estendida, quando cais, quando vacilas, quando as artйrias comprimem a as veias rebentam. Quando o mundo deixou de te pertencer e as conchas se fecham em copas. Quando o deceive insane riposta e os ventos sacodem quando as nuvens cobrem e os campos escurecem. Quando eu sou muito mais que aquilo que os teus olhos reflectiam, quando me tornei muito mais que uma pбgina solta na calзada. Quando sei que o meu cheiro me pertence e nгo й uma mistura do teu.
As minhas palavras valem mais que sentidos e as expressхes sгo mais que simples desfechos nublados, numa бrvore que esconde o sol. Quando digo adeus а tua lunбtica ideia e sigo o meu caminho, nunca traзado por ti. As tuas pedras deixaram de ser aguзadas e afiadas.
Quando os dedos da alma fecham a cortina que escorre dos teus olhos. Deixaram de me dilacerar a pele e fazer feridas. Eu agora sou eu, nгo umas palavras colocadas na tua boca, feitas para adoзar, o que amargo nгo podia deixar de ser. Deixaste de ter o meu coraзгo (aquele que nгo mais й que um mъsculo) na tua colecзгo, evidenciado como se trofйu fosse.
Hoje esqueci-te. Hoje deixei de pertencer ao teu piano de cauda abandonada, com uma jarra vazia e uma flor a apodrecer. Tornei-me numa nota desafinada, separada de todas as outras.